Quando pegamos um livro didático, ficamos sabendo que nas primeiras décadas do século XX, houve uma produção literária que mais tarde se convencionaria chamar pré-modernista. Pois bem, a palavra convenção nesse caso aplica-se perfeitamente, já que não houve na prática, efetivamente, uma escola literária aí, mas escritores que destoaram, cada um por sua conta, do movimento literário então em vigor: o parnasianismo.
1902 é o ano em que Euclides da Cunha publica seu Os Sertões. E por isso, posteriormente, decidiu-se que essa data seria o marco inicial do pré-modernismo. A obra só se encaixa no pré-modernismo pela denúncia social, característica, aliás, precípua das obras que se podem chamar de pré-modernas. A linguagem de Os Sertões é um tanto rebuscada. Não se pode negar que nela há certa influência do parnasianismo. Na verdade, é pela linguagem unicamente, pelo estilo que esse livro vai entrar para a história da literatura, pois não é um trabalho ficcional, uma das exigências indispensáveis da literatura de verdade. A preocupação de Euclides da Cunha com a miséria social dos habitantes de Canudos vai suscitar um fato novo na cenário literário da época que se ocupava, notadamente, no entretenimento das elites.
No entanto, na prática, o parnasianismo não teve seu prestígio afetado por essa obra nem por outras também consideradas pré-modernas: Canaã (1902) de Graça Aranha; Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909) e Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911), ambas de Lima Barreto; Urupês (1918), livro de contos de Monteiro Lobato. Os historiadores, portanto, falsearam os fatos para inserir na história da literatura brasileira alguma renovação artística. Isso vale também para a escola que conhecemos como simbolismo.
Desse modo, fica claro que o termo pré-modernismo precisou de muito tempo para poder ser criado. As pessoas não previram o futuro e perceberam que o modernismo estava a caminho, assim como na história dos acontecimentos que só muito depois é que se criaram conceitos como Idade Média. Ela não existia. Não imagine que o homem de 1200 considerava-se medieval. Não havia tal consciência. Diga-se o mesmo para os escritores do pré-modernismo. O que eles sabiam de fato era que estavam fugindo um pouco do lugar comum e da literatura oficial que era a parnasiana e, às vezes, nem isso.
Augustos dos Anjos, conquanto tenha publicado seu livro Eu e Outras Poesias em 1912 e apareça em muitos livros didáticos como pré-modernista (há também quem o considere simbolista), é um autor sem classificação, já que em seus poemas não problematiza nossa realidade sócio-cultural. Isso faz que o pré-modernismo restrinja-se a trabalhos em prosa.
Monteiro Lobato continuou produzindo, mesmo depois de 1922, obras que podem ser consideradas pré-modernistas. Não nos estamos referindo a seus livros infantis, pois eles são uma criação a parte. Não fazem parte do pré-modernismo. Entretanto, A Semana de Arte Moderna implicitamente encerra oficialmente esse período da nossa literatura que, num certo sentido, foi criado mais pelos historiadores que pelos escritores da época.
gostei muito da publicação professor,e realmente essa pergunta quando aparece em provas ou na sala de aula deixa muitos alunos sem saber o que responder,ou responde foi a época moderna ou algo assim.Mas gostei muito da resposta foi bem direta mostrando exemplos e deu pra entender,e o melhor é que o senhor soube detalhar muito bem para não deixa o leitor com duvidas. Parabéns!
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