quarta-feira, 14 de março de 2012

O que foi o pré-modernismo?

Quando pegamos um livro didático, ficamos sabendo que nas primeiras décadas do século XX, houve uma produção literária que mais tarde se convencionaria chamar pré-modernista. Pois bem, a palavra convenção nesse caso aplica-se perfeitamente, já que não houve na prática, efetivamente, uma escola literária aí, mas escritores que destoaram, cada um por sua conta, do movimento literário então em vigor: o parnasianismo.

1902 é o ano em que Euclides da Cunha publica seu Os Sertões. E por isso, posteriormente, decidiu-se que essa data seria o marco inicial do pré-modernismo. A obra só se encaixa no pré-modernismo pela denúncia social, característica, aliás, precípua das obras que se podem chamar de pré-modernas. A linguagem de Os Sertões é um tanto rebuscada. Não se pode negar que nela há certa influência do parnasianismo. Na verdade, é pela linguagem unicamente, pelo estilo que esse livro vai entrar para a história da literatura, pois não é um trabalho ficcional, uma das exigências indispensáveis da literatura de verdade. A preocupação de Euclides da Cunha com a miséria social dos habitantes de Canudos vai suscitar um fato novo na cenário literário da época que se ocupava, notadamente, no entretenimento das elites.

No entanto, na prática, o parnasianismo não teve seu prestígio afetado por essa obra nem por outras também consideradas pré-modernas: Canaã (1902) de Graça Aranha; Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909) e Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911), ambas de Lima Barreto; Urupês (1918), livro de contos de Monteiro Lobato. Os historiadores, portanto, falsearam os fatos para inserir na história da literatura brasileira alguma renovação artística. Isso vale também para a escola que conhecemos como simbolismo.

Desse modo, fica claro que o termo pré-modernismo precisou de muito tempo para poder ser criado. As pessoas não previram o futuro e perceberam que o modernismo estava a caminho, assim como na história dos acontecimentos que só muito depois é que se criaram conceitos como Idade Média. Ela não existia. Não imagine que o homem de 1200 considerava-se medieval. Não havia tal consciência. Diga-se o mesmo para os escritores do pré-modernismo. O que eles sabiam de fato era que estavam fugindo um pouco do lugar comum e da literatura oficial que era a parnasiana e, às vezes, nem isso.

Augustos dos Anjos, conquanto tenha publicado seu livro Eu e Outras Poesias em 1912 e apareça em muitos livros didáticos como pré-modernista (há também quem o considere simbolista), é um autor sem classificação, já que em seus poemas não problematiza nossa realidade sócio-cultural. Isso faz que o pré-modernismo restrinja-se a trabalhos em prosa.

Monteiro Lobato continuou produzindo, mesmo depois de 1922, obras que podem ser consideradas pré-modernistas. Não nos estamos referindo a seus livros infantis, pois eles são uma criação a parte. Não fazem parte do pré-modernismo. Entretanto, A Semana de Arte Moderna implicitamente encerra oficialmente esse período da nossa literatura que, num certo sentido, foi criado mais pelos historiadores que pelos escritores da época.

Um comentário:

  1. gostei muito da publicação professor,e realmente essa pergunta quando aparece em provas ou na sala de aula deixa muitos alunos sem saber o que responder,ou responde foi a época moderna ou algo assim.Mas gostei muito da resposta foi bem direta mostrando exemplos e deu pra entender,e o melhor é que o senhor soube detalhar muito bem para não deixa o leitor com duvidas. Parabéns!

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